Para quem é responsável por gerir uma organização nesta altura de dificuldade há uma maior exigência em termos de responsabilidade social, esta exigência não recai apenas no esforço de manter os postos de trabalho mas também no aspecto de fazer uma gestão cuidada e clara dos gastos desnecessários.
A utilização dos recursos das empresas para gastos pessoais deve desaparecer, para isso é que existem os ordenados e as divisões de lucros. Para os gestores deve estar sempre presente o facto de a sua responsabilidade ir além da recuperação do investimento, deve haver nas organizações um envolvimento com a realidade da comunidade e dos seus colaboradores. Numa organização perfeita a divisão dos lucros devia conter uma parcela a ser investida na comunidade e nos trabalhadores, não falo apenas em melhorias de salário mas falo também na melhoria da condição humana, no aspecto da família e do tempo disponível, no aspecto do desenvolvimento pessoal e social, no favorecimento da humanização dos locais de trabalho e dos locais e tempos de repouso e convívio social.
Mas é necessário também que os trabalhadores sintam que são uma parte da organização, e tenham a maior responsabilidade no seu desempenho, não devendo apenas pedir, mas estar disposto a contribuir para um objectivo comum.
Esta fase que o mundo atravessa deverá servir para alterar a nossa concepção sobre como devemos desenvolver o nosso futuro. O estimulo exagerado no consumismo desnecessário leva á desvalorização das conquistas pessoais e sociais. No espaço de 200 anos a humanidade consegue colocar em risco toda a sua existência, nos últimos 50 anos conseguimos provar que não existe um sistema politico que garanta o bem estar a democracia e todos os demais direitos humanos. Já é tempo de perceber que todos têm um pouco de razão, e que radicalizar uma visão politica social ou religiosa só provoca o seu declínio.
Será que na base das várias religiões não podemos encontrar princípios orientadores que se possam aplicar nestes tempos?
E se misturarmos os princípios do comunismo com os do capitalismo, poderemos ter uma economia de "comunhão".
Tentemos então misturar os princípios básicos das várias religiões com os aspectos positivos das várias correntes politicas e económicas, e teremos provavelmente uma base de partida para encarar o futuro que se apresenta duvidoso mas com grande potencial para reconstruir a nossa maneira de estar.
Um comentário em duas partes:
ResponderEliminarQuanto à questão do trabalho, das pessoas e das organizações não poderia estar mais de acordo. O papel social das empresas, ou saja, a constatação de que estas existem para as pessoas, só se pode atingir se houver de ambas as partes informação, rigor, boa fé, espírito de pertença e de equipa, condições efectivas de trabalho, formação adequada para a identidade específica de cada organização e sobretudo participação na gestão.
Acredito que o trabalho é tanto um direito como um dever. Na iniciativa privada ou no sector público devemos dar o nosso melhor pelas nossas organizações mesmo sabendo que elas não esperam (nos casos em que isso suceda e admito que possam ser excepções) mais de nós do que a efémera passagem da carne inteligente. Temos a obrigação de fazer a difernça onde estamos.
Quanto à segunda parte da questão. Não creio que esteja provado que não existe um sistema político alternativo. Bem pelo contrário. O que se provou foi que existem vários sistemas que foram tentados e que, na ausência de equilíbrios entre sistemas distintos e alternativos, o que sobra é a mutilação da política pela economia criando a ilusão de que tudo parece ter falhado em todas as alternativas ao presente dogma económico liberal. Contudo, isso está longe de ser real.
Não deixa de ser interessante que, há um ano atrás todos os políticos e economistas reconhecidos do ocidente e ligados às áreas de poder tinham em Milton Friedman o seu grande guru. O neo-liberalismo tornou-se moda e a desumanização da ecomnomia e da vida das organizações pior que religião. Quando começam os sinais mais evidentes (porque os primeiros já vêm de há mais de dois anos) de que a crise actual era algo de mais grave e mesmo de estrutural, todos os economistas e políticos passaram a adorar as teses de John M. Keynes e as suas fórmulas de capitalismo com rédeas e mitigado por uma regulação de vários factores no mercado fazendo questão de se demancarem do neo-liberalismo. Mas hoje, passados alguns meses até parece já haver uma certa vergonha ou tabú em utilizar a palavra capitalismo. Curioso. Isto pode significar que existe um medo latente de confusão de crise cíclica própria do capitalismo com crise sistémica que muitos teóricos anti-capitalistas como Noam Chomdky do MIT, (só para citar um, mas hoje são aos milhares) defende.
Na minha opinião, o que sabemos hoje é o que existe de errado nos sistemas conhecidos mas mantêm-nos à distância de soluções e experiências que nos possam levar à superação destes sistemas. As alternativas são ridicularizadas como se fossem avistametnos de OVNIS's. As coisas não são tão líquidas queanto eu dizer que a URSS se transformou de um país feudal na primeira potência espacial mundial por causa das virtudes stalinistas. Mas é igualmente pouco sério dizer que a Islândia, de um dia para o outro, deixou de ser um dos países mais ricos do mundo para passar a ser (economicamente) um dos países do terceiro mundo. Há visões alternativas sérias dentro dessa simbiose do que de melhor o socialismo trouxe à humanidade com a iniciativa mais mitigada e menos parasitária de algumas factores a ter em conta nas sociedades ocidentais capitalistas. Daí que seja uma tarefa árdua de superação e inimitável. O que é bom para o país ao lado pode não ser bom para nós. É uma questão muito interessante que fica para outros debates.