Mais uma vez hoje desce a taxa de juro do Banco Central Europeu, foi fixada em 1,5% o valor mínimo histórico desde que foi criado o BCE, hoje ainda o Banco de Inglaterra fixou a taxa directora em 0,5%.
Estas medidas pecam por tardias, no ano passado quando o petróleo subia em flecha e já estava no pico a crise financeira internacional, o BCE subia a taxa directora com a desculpa de tentar controlar a inflação se já ultrapassava os 3%. Este movimento provocou ainda maiores dificuldades financeiras nas famílias, pois o rendimento disponível diminuiu, e nas empresas, pois tornou mais caro o acesso ao crédito.
Alguém ganhou muito com esta medida enquanto se injectavam biliões nos mercados financeiros, mas temos que ter cuidado, pois o próximo movimento deverá ser tentar evitar a deflação, e os políticos e financeiros são bastante criativos a inventar maneiras de nos tornar mais pobres e por isso mais controláveis.
Essa é uma notícia extremamente importante para a análise à actual situação. Concordo em pleno que estas medidas pecam por tardias não se tornando já tão eficazes na vida real por vários factores:
ResponderEliminar-Apesar dos cálculos mirabolantes feitos pela comunicação social a cada descida da taxa directora, na prática os números aparecem de um modo radicalmente diferente tendo havido descidas mínimas, e em alguns casos subidas (por perda de bonificações) nas prestações dos créditos à habitação. Claro que a maioria dos contratos está indexado à Euribor a 6 meses, contudo, nas revisões que se vão suceder vamos verificar que a descida não vai chegar nem de longe aos números apontados pela comunicação social.
-A população, na sua grande maioria, ignora por completo as condições contratuais dos créditos e perante este pequeno aumento de capital disponível (juntar factores como a baixa inflação, descida de preços de combustíveis, etc.) ir-se-á retrair em diversas formas de poupança ao invés do esperado resultado do aumento do consumo. Aqui pesa também o importante factor do medo do desemprego. Obriga os mais racionais a poupar em vez de gastar.
-A sobre-poupança (nos que têm empregos e rendimentos), o sub-rendimento (nos que se viram desempregados e têm direito a subsídios), a ausência de rendimentos (para os que se viram desempregados partindo de uma situação de trabalho precário ou (falsos) recibos verdes, e por último o sobre-endividamento de muitos outros geram esse fenómeno interessante de que falas, a deflação. Ora, a deflação é ainda maior inimiga do sistema actual do que a inflação e foi a causa inicial da própria crise com a desvalorização (real) do sector imobiliário nos EUA.
Isto é a análise. As soluções e a visão global, cada um terá a sua. Não quero entrar no campo político e ideológico, mas creio que estamos a atravessar um momento único pela sua complexidade e que exige de nós muita força e muita coragem, mas sobretudo muita irreverência não dando como garantido tudo aquilo que conhecemos como sendo a estrutura económica actual. Muitos defendem que o sistema se conseguirá regenerar aplicando regulações apertadas e aplicando alguns remendos aqui e ali. Outros defendem que está na hora de superar este sistema e construir na suas ruínas um novo. Uma coisa é certa, o que dá a entender é que os poderes instituídos querem que tudo mude para que tudo permaneça igual.