segunda-feira, 6 de abril de 2009

Um conceito, duas naturezas distintas.

Ainda vai surgindo em debates espontâneos a já tão falada questão do BPN. Coloco aqui algumas considerações sobre o assunto

- A questão mais debatida é a da nacionalização do banco. Parece que esta palavra ainda causa alguns calafrios a muita gente mas neste caso não se tratou de um processo revolucionário mas antes de uma forma de assegurar os depósitos e a posição dos trabalhadores da instituição. Na minha opinião a nacionalização era fundamental neste caso específico porque o BPN, mais do que um banco, tratava-se já de uma organização com participações em empresas de muitos sectores diferentes. Como banco tinha já uma considerável carteira de clientes, produtos interessantes a altamente competitivos, um sistema próprio (logo autónomo da SIBS) de pagamentos. A queda do BPN poderia ter significado a queda em cadeia do sistema bancário português.

- A administração deve ser investigada e punida segundo a legislação em vigor e do processo de nacionalização não podem, como é óbvio, resultar quaisquer ganhos para a estrutura accionista do banco.

- É certo que os contribuintes pagam por erros de privados neste processo da nacionalização, mas poderiam ter de pagar muito mais caso tivessem deixado cair o banco com as consequências dessa decisão. O governo agiu da forma como tinha de agir e no tempo certo.

- O Banco de Portugal provou mais uma vez que apenas existe para criar reformados milionários uma vez que fechou os olhos a incontáveis avisos vindos das mais variadas fontes, incluindo de dentro do próprio banco. Fechou os olhos no caso do BPN como fechou também noutros casos bem conhecidos de outros bancos.

- Desde a nacionalização o BPN não perdeu qualidade no ponto de vista comercial e foram já criados novos produtos financeiros interessantes. O BPN é hoje um banco público gerido à sombra da CGD e penso que, caso não haja um processo de sabotagem, em dois anos recuperará o que fez perder ao contribuinte português em resultados.

- Não devemos acreditar nas tretas que circulam na internet sobre o BPN. É falso que se cobrem taxas sobre levantamentos nos ATM desse banco. Ainda onte o fiz, com um cartão do BPI e com outro do BPN e em nenhum dos casos um único cêntimo foi debitado, como nunca foi em alturas anteriores.

- Foi tomada e executada uma decisão e o BPN é um banco público e devemos proteger aquilo que nos pertence. Hoje o BPN não pertence à escória que o pariu mas sim a todos nós até ao próximo governo de corruptos o decidir re-privatizar.

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